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sexta-feira, dezembro 03, 2004

Asneiras 

O meu filho começou a portar-se mal. Ou melhor. A sua Média de Asneiras por Minuto (MAM) subiu vertiginosamente nas últimas semanas. Vai daí, e tentando seguir à risca os manuais de educação de crianças, decidimos começar a dar-lhe pequenos castigos.
Dizem os entendidos que por cada ano de vida se devem dar um minuto de castigo a uma criança. Mais é desnecessário e pena demasiada. Menos, não faz diferença nenhuma e a criança julga que é mais uma brincadeira.
Com o meu filho, a teoria não resulta. Quando lhe ralhamos, nem sequer liga. Na maioria das vezes devolve as nossas reprimendas com uma gargalhada. E faz pior. A única solução é retirá-lo do local da asneira e afastá-lo momentaneamente da actividade asneiral. E aguentar os seus gritos de fúria.
Às vezes tentamos dialogar... Ou melhor, tentamos explicar-lhe que depois de uma asneira vem um momento de pena. E que é melhor ele não repetir. Nada feito! Ele não quer nem saber. E até já desenvolveu um esquema de mudar de assunto e de falar de outras coisas! O puto é uma peste!
Esta noite, tentámos uma táctica diferente. Ele não queria dormir, nem sequer fazer uma tentativa para adormecer na nossa cama. Virava-se, saltava, fazia trinta por uma linha. Decidimos pô-lo no quarto dele e deixá-lo dois minutos sozinho. Chorou. Gritou. Durante dois minutos. A nós pareceram-nos vinte... E depois, quando entrámos no quarto estava sem uma lágrima. Tinha sido tudo fita!
A verdade é que se acalmou... Percebeu que tinha passado o risco e a seguir fizemos todos as pazes... E adormeceu ao pé de nós, dez minutos depois, com um sorriso nos lábios.
E nós ficamos com os remorsos. É terrível, mas os principais castigados num castigo, são os castigadores. Parece um paradoxo... É claramente paradoxal... Mas é verdade. Não consigo deixar de me sentir culpado quando tenho que dar uma reprimenda ao meu filho. Ele é tão pequenino... E apesar de ser um grande safado, só quer brincar, só quer atenção, não faz por mal...
A ideia de que os podemos educar, controlar, conduzir é tão absurda... Nem sequer estamos perto. Porque mesmo quando temos a ilusão de ter o poder nas mãos, são eles que nos comandam.
Por isso... Sou capaz de mudar de táctica novamente. Mais cedo ou mais tarde o meu filho vai perceber que há asneiras que não deve fazer. E mais cedo ou mais tarde vai deixar de fazer essas asneiras e começar a fazer outras... Ainda piores! Por isso, o melhor é aproveitar agora!

terça-feira, novembro 30, 2004

Escolha inevitável 

Era demais. O Presidente da República também percebeu que era demais. Os pais, os bebés, as mães, todos os portugueses, não podiam aguentar mais. O Presidente da República demitiu o primeiro-ministro. Vai haver eleições.
O que significa que nos deram a possibilidade de escolher. Agora a responsabilidade é nossa. Votar é o único momento que a democracia nos dá para expressarmos a nossa vontade.
Como pais , temos a responsabilidade de escolher pelos nossos filhos. Sabendo que estamos a escolher o futuro deles. É engraçado como depois de sermos pais, tudo parece girar à volta desta questão: Escolher o melhor para eles.
Talvez tenha sido essa a ideia que passou pela cabeça de Jorge Sampaio esta tarde, quando decidiu dissolver a Assembleia da República. O nosso Presidente escolheu dar-nos a escolha a nós. E deve querer, como qualquer pai, que nós estejamos à altura dessa responsabilidade.
Por mim, pela minha família, pelo meu filho, muito obrigado.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Metáfora boçal 

Há milhares de famílias em Portugal que tiveram que passar pelo drama de ter um bebé prematuro. Durante meses estiveram à cabeceira da encubadora sem poderem agarrar o seu filho, sem o poderem beijar, à espera que ele crescesse e tivesse força para encarar o mundo. Para essas famílias, a chegada de um novo membro é lembrada com angústia. Foi um período que preferem esquecer. Que passou. Uma batalha que venceram... Os que a venceram...
Esta razão basta, para dizer que utilizar a metáfora de um bebé prematuro, que é pontapeado e agredido «pelos irmãos mais velhos», para caracterizar o mau Estado em que está o Governo, não é só um acto de mau gosto. É um acto de uma inqualificável falta de sensibilidade. De falta de bom senso. De falta de respeito. De falta de educação. De falta de moralidade.
Mas foi o que o primeiro-ministro Santana Lopes fez ontem, em Vila Pouca de Aguiar.
Mas há mais... Todos os anos morrem centenas de crianças vítimas de maus tratos. Esses maus tratos acontecem maioritáriamente no seio familiar. Basta lembrar o caso da pequena Joana, no Algarve...
E no entanto, o nosso primeiro-ministro achou que a melhor maneira de nos dizer que está a ser pressionado, que não tem condições para governar, era comparar-se a um bebé numa encubadora a ser violentamente agredido «pelos membros da sua própria família».
Ser o chefe de um Governo que não foi eleito é difícil. Ser primeiro-ministro por decreto presidencial é uma tarefa que exige sangue frio e capacidade de encaixe. A sombra da ilegitimidade sempre presente pode até originar ataques de pânico.
Mas passar do stress ao mau gosto, à insanidade, ao insulto a milhões de famílias, é cometer suicídio político. Já se sabia que Santana Lopes estava rodeado de incompetentes. Que os seus assessores de imagem são jovens carreiristas, que têm no currículo demasiados erros para poderem ser recomendáveis.
Mas este tipo de falta de consciência, de falta de seriedade, ofende. Muito.
Quando anunciou ao país que iria dar a Santana Lopes a possibilidade de ser primeiro-ministro, o Presidente da República garantiu que ia estar vigilante. É, por isso, ao Dr. Jorge Sampaio que eu peço: Dissolva este Governo. Penalize estes governantes. Em nome de todos os pais e de todos os bebés prematuros. Em nome de um país que não pode, não aguenta mais, este nível de insulto, este nível de alarvidade política. Um país cansado da boçalidade e da mediocridade intelectual que Santana Lopes trouxe à governação.
Em nome de Portugal, demita-o.

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